Posts from fevereiro 2010.

Adeus Cecília

Ao mesmo tempo em que terminar o conto me deixou feliz, acho conveniente dizer que essa felicidade não durou muito. Ritualisticamente, quando termino de escrever esses textos, envio aos amigos mais chegados um link em Cco. Alguns gostam, outros toleram, mas, como se passaram 742 dias da última mensagem, muita coisa mudou, por exemplo, diversos endereços que não existem mais e que retornam como mensagens de erro.

Um desses e-mails, embora tenha sido entregue, recebeu resposta automática, comunicando o Falecimento de minha amiga Cecília Cerda.

Logo que Cecília sumiu eu havia trocado de MSN e esse era nosso principal meio de comunicação. Apesar de muitas tentativas para readicioná-la ela jamais aceitou e conforme passava o tempo, sempre me lembrava dela e me perguntava o que estaria fazendo a minha amiga; talvez estivesse muito ocupada, afinal, era Ph.D em Oceanografia.

A notícia de sua morte me deixou muito abalado e fragilizado, mesmo que já se tenha passado tanto tempo. Para mim isso é novo e o sentimento de perda é confuso, já que me custa a aceitar a realidade de que ela já não está mais entre nós.

Todo esse tempo senti falta de sua personalidade positiva, sempre me dizendo para ver o lado bom das coisas e tratando os problemas como barreiras triviais na escalada de um objetivo maior.

Sentirei muito a sua falta.

742 dias depois…

A literatura e eu sempre flertamos, mas nunca acertamos o passo. Sempre acreditei que a carreira de escritor é bela, mas que a população emburrecida já não aprecia mais essa arte e que, de certa forma, para viver como escritor é preciso submeter-se e enquadrar-se ao nível do que as pessoas gostam de ler. É como disse, me lamentando para uma amiga: em época de 140 caracteres, quantas pessoas leriam 140.000?

Mas, como certas coisas não se escolhem e a pulga da literatura ainda permanece causando essa coceira que fica insuportável de tempos em tempos, depois de 742 dias de jejum, terminei um conto chamado “O triste amor de Alexander Phineas”. O gênero é terror (como sempre).

Para isso o carnaval serve:

  1. Três dias de folga e
  2. Quebrar 742 dias de seca num literato frustrado.